A CORTIÇA

A cortiça é a casca do sobreiro (Quercus Suber), árvore de porte médio, folha perene verde, cujo habitat natural é a Bacia do Mediterrâneo Ocidental. Espanha e Portugal são os maiores produtores mundiais desta matéria-prima.

Nunca é demais relembrar as propriedades únicas da cortiça que nenhum outro produto, seja natural ou artificial, conseguiu até hoje igualar ou ultrapassar:
1. Leve - 2. Impermeável a líquidos e a gases - 3. Elástica e compressível - 4. Excelente isolante térmico e acústico - 5. Combustão lenta - 6. Muita resistência ao atrito

Mas estas múltiplas qualidades só podem ser compreendidas depois de uma análise minuciosa da sua composição química, onde se identificam os seus vários compostos e respetivos valores médios:
1. Suberina (45%) - 2. Lenhina (27%) - 3. Polissacáridos (12%) - 4. Ceroides (6%) - 5. Taninos (6%)

Rapidamente se constata que a principal componente da cortiça é a suberina, uma mistura de ácidos orgânicos a partir da qual são formadas as paredes das suas células, impedindo a passagem de água e de gases. As propriedades da suberina são notáveis, pois é praticamente infusível, insolúvel na água, no álcool, no éter, no clorofórmio, no ácido sulfúrico concentrado, no ácido clorídrico, etc...

A essência da cortiça é definida pelas suas células que estão agrupadas numa estrutura alveolar característica. Num centímetro cúbico da cortiça contam-se cerca de 40 milhões de células dispostas em fiadas perpendiculares ao tronco do sobreiro.

Cada célula tem a forma de um minúsculo prisma, pentagonal ou hexagonal, cuja altura não ultrapassa os 40 a 50 micro metros (=milésimos de milímetro). As células mais pequenas medem 20 ou mesmo 10 micro metros. Maiores ou menores, todas estas células são preenchidas por uma mistura de gases semelhante ao ar. Uma prancha de cortiça contém cerca de 60% de elementos gasosos, o que explica a sua extraordinária leveza. É este agregado de pequenas almofadas que concedem à cortiça uma compressibilidade fora do vulgar. Em simultâneo, graças à impermeabilidade que a suberina dá às paredes da célula da cortiça, esta é hermética. O gás nela contida não pode sair, sendo o fundamento da elasticidade do tecido e também da sua má condutibilidade térmica.

A cortiça é um material extraordinário, com propriedades únicas, natural, renovável e biodegradável.

As suas aplicações são adequadas para muitos setores exigentes como indústria espacial, construção civil, automóvel e talvez o mais importante o tapamento do vinho e outras bebidas. A sua produção não produz poluição ou danos ao ecossistema, já que é obtida por descortiçamento, sem cortar nenhuma árvore e a cultura realiza-se a cada 9 a 12 anos.